quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tudo sempre acaba bem no final....

Disse Domingos Sabino: “tudo sempre acaba bem no final. Se as coisas não estão bem, é porque você ainda não chegou ao final”.

Se você está insatisfeito com alguma coisa – mesmo que seja uma coisa boa, que gostaria de realizar e não está conseguindo – pare agora.

Se as coisas estão emperradas, só existem duas explicações: ou sua perseverança está sendo testada, ou você precisa mudar de rumo.

Para descobrir qual das opções é correta – já que, afinal de contas, são atitudes opostas – use o silêncio e a oração. Aos poucos, as coisas vão ficando misteriosamente claras, até que você tenha forças suficientes para escolher.

Uma vez tomada a decisão, esqueça por completo a outra possibilidade. E siga adiante, porque Deus é o Deus dos Valentes.


Paulo Coelho

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010



Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade
que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente,
que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles